Os 9 Livros Obrigatórios da Fuvest: Resumo e Comentários

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Se você leu Os 9 Livros Obrigatórios da Fuvest e as 7 Melhores Dicas para Estudá-los, provavelmente agora quer saber a história, o enredo, o resumo e os autores das obras que vão cair na Fuvest. Então, esse artigo é único e exclusivo para tratar disso. Listamos eles, com suas respectivas referencias, confira!

1 – Iracema (José de Alencar)

José de Alencar nasceu no Ceará, morou no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foi escritor, político, advogado e jornalista. Dedicou boa parte da vida aos livros, lançando obras que fizeram dele um dos maiores romancistas da literatura nacional, tais como Cinco Minutos, O Guarani, A Viuvinha, entre outros.

Foi fortemente influenciado por Walter Scott, criador do romance histórico e assim consegue misturar ficção e documento, com um enredo baseado em fatos históricos.

Iracema foi publicado em 1865 e faz parte de uma tríade dos romances indianistas do autor, que soma-se à O Guarani e Ubirajara, e é considerado o mais maduro deles, já que admite várias interpretações e tem uma ótima estrutura narrativa. Tanto é que é considerado um poema em forma de prosa, com detalhes épicos.

A história tem personagens históricos, ou seja, que existiram de fato e fizeram parte da História do Brasil. O livro foi escrito logo após a regularização da colonização do Ceará, em um cenário cheio de lendas, amor e nascimento do primeiro filho da miscigenação entre o branco e o índio.

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Tem um narrado onisciente, que usa muitas metáforas e palavras indígenas. Por amor à Martin, Iracema abandona a família, o povo, a religião e Deus. É uma referencia à submissão indígena ao colonizador português. Tanto é que alguns especialistas dizem que Iracema é um anagrama de América.

2 – Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)

Leitores desculpem-nos a nossa opinião, mas ainda vai demorar muito tempo para que Machado de Assis saia da lista das obras dos vestibulares. O autor é muito eclético e exemplifica, sempre, muito bem o que é um livro clássico. Dessa vez, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, ele resolve contar sua vida depois de morto, o que mudou, de maneira radical, a literatura brasileira.

Se você passou a sua vida sem ler esse livro, saiba que essa é uma boa oportunidade. Por quê? Bem, o resumo da história é o seguinte: Na infância, Brás Cubas, como membro da sociedade patriarcal brasileira, tem uma vida marcada por privilégios patrocinados pelos pais. Prudência era um negro e considerado o brinquedo de estimação de Brás Cubas.

Na escola, Brás era amigo de Quincas Borba, que era sórdido e fiel à questão do humanitismo, onde os mais fortes sobrevivem. Esse é só o começo da história contagiante que é narrada por Machado de Assis.

Uma curiosidade é que Memórias Póstumas de Brás Cubas foi uma obra criada em folhetim, mas logo saiu como livro pela Tipografia Nacional. Isso explica o marco inicial do Realismo Brasileiro.

Agora, sobre o autor, você já deve saber bastante, mas vamos ao básico: lançou uma série de romances, na qual foi marcada pelo romantismo, mas, na década de 1880, há uma mudança estilística e temática, que inaugura o realismo no Brasil. E é nesse contexto que é publicado Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Nascido no Rio de Janeiro foi influenciador direto de Olavo Bilac, Lima Barreto e Carlos Drummond de Andrade. Machado de Assis foi fundador da Academia Brasileira de Letras e tornou-se um gênio das palavras.

Para terminar o tópico, essa obra leva em conta muito mais a linguagem do que o enredo, já que revela a denúncia à uma sociedade por meio da ironia e do humor. Inclusive, seguida por um fio lógico e cronológico.

3 – O Cortiço (Aluísio de Azevedo)

É a obra que representa a difusão entre as teses naturalistas que são contadas através dos comportamentos dos personagens com base na influencia do meio, da raça e do momento histórico. A saga gira em torno de João Romão que parte em rumo do enriquecimento. Para conseguir acumular capital, ele explora os empregados e furta para chegar aos objetivos.

Ah, João Romão é o dono do Cortiço. E também da Taverna e da Pedreira. Daí tem um concorrente e a esposa de João, são personagens fieis à trama… O restante da história você só descobrirá lendo.

A obra é a melhor expressão para definirmos o Naturalismo Brasileiro.

Já sobre o autor, que estudou na Academia Imperial de Belas-Artes, começou a vida trabalhando como caricaturista para jornais. Talvez por isso, as obras do autor são consideradas ruins do ponto de vista dos personagens, já que os torna psicologicamente pobres. Mas, o naturalismo tem disso .

“O Mulato” foi a primeira obra do autor, que deu origem à sua carreira de escritor e foi lançada em 1881.

Juntamente à obra ao autor, o final da trama traz a lembrança de outro autor, Eça de Queirós, que foi, diga-se de passagem, o seu grande mestre. Aluísio de Azevedo é filho de portugueses, o que influencia diretamente nas expressões típicas da variante europeia de nossa língua.

4 – A Cidade e as Serras (Eça de Queirós)

Eça de Queirós dividia suas obras em 3 fases. A 1ª era sob a influencia romântica, depois era focada na causa-naturalista com narrativas esteticistas e por fim, mas sem abandonar o realisto, ele permite apostar na imaginação e investe nesse estilo. É nessa última fase que está inserida a obra “A Cidade e as Serras”.

O livro foi publicado em 1901, ou seja, 1 ano após a morte do autor (último livro publicado dele) e é marcado por ter trazido um momento de paz entre ele e o povo português, já que, anteriormente, outras duas obras foram consideradas polemicas: O Crime do Padre Amaro e Primo Basílio.

Como o título prevê, a narrativa identifica a comparação entre o campo e a cidade, ou logo, entre a elite e a classe trabalhadora. Tudo isso está envolto do século XIX, quando vieram os antecedentes do protagonista. Em questão, a cidade é Paris e funciona como uma metonímia da civilização.

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Essa temática que vai desde o campo até a cidade, que é recorrente nas obras do autor, é o cerne desse romance, como o titulo indica. Para entender essa obra é preciso fazer a reflexão: “Por que será que o autor traz à tona a questão da vida no campo ser mais séria do que a vida na cidade”?

A resposta é gênero bucólico cultivado pelo autor, que cria um personagem que tem conhecimento minucioso da natureza. Um teórico chamado Walter Benjamim citou essa sabedoria como “a teoria entretecida na experiência”. No fim, é impossível não identificar a futilidade reinante em Paris e as ideias positivas que deslumbravam a juventude intelectual da época.

5 – Capitães de Areia (Jorge Amado)

É um livro que gira em torno dos meninos de rua de Salvador, que são menores de idade e tem uma vida totalmente desregrada e marginal, interligadas por tragédias familiares e com a condição de miséria. O grupo de meninos chama-se Capitães e eles se escondem em um armazém abandonado em uma das praias baianas.

Os nomes dos personagens também tem relação com suas vidas. O João Grande tem uma força bruta, o professor tem dons artísticos, o Sem-Pernas é marcado pela amargura existencial e o Volta-Seca é oprimido pela tom sertanejo. Pedro Bala é quem comanda os capitães.

Jorge Amado representa a segunda geração da literatura modernista brasileira, logo, o texto é um dos mais “leves” da listagem da Fuvest, com palavras recentes e história comovente. Assim como Vidas Secas também traz a questão do realismo socialista, com princípios, inclusive, marxistas, do qual o autor foi adepto.

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Capitães de Areia faz uma analogia entre a aventura narrada pelos adolescentes e a mensagem política que quer transmitir ao leitor sobre a política daquele tempo, que não mudou muito, vai dizer assim. Na questão literária, Amado foi um dos primeiros a inserir a questão dos menores de idade em condição de rua com uma perspectiva social e não apenas policial.

Publicada em 1937, a obra fez com que as autoridades baianas queimassem exemplares em praça púbica, devido ao tom político da época e lembrando que o país estava no início da ditadura do Estado Novo.

Em termos de gênero, essa obra está citada como “Romance de Aventuras” e tem uma narrativa estruturada na sucessão de episódios vividos pelos meninos, que passam por ações criminosas, inclusive.

É possível buscar uma referencia em Peter Pan, sendo que o armazém pode ser a Terra do Nunca, onde só vivem os abandonados e o líder é homônimo. Também tem referencias com Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres.

O que faz Pedro Bala se tornar o verdadeiro herói romântico que é valente e se sacrifica pelo grupo, no entanto, muitos comentaristas o julgam como anti-herói já que ele se dedica aos crimes e chega á ter relação sexual com outra personagem.

A história é toda narrada em 3ª pessoa, por um narrador onisciente, que sabe tudo o que ocorre, que, por sinal, parece ter a máxima importância de mostrar o outro lado da história, justamente a visão dos Capitães de Areia. Claro que isso tem que ser levado em consideração já que o narrado não tem um esforço muito grande em ser parcial, sendo favorável aos capitães.

Baiano, Jorge Amado passou a infância em Ilhéus e surpreendeu todos ao lançar “O País do Carnaval”, 1930, obra que deu pontapé inicial na sua trajetória de escritor. É o romancista brasileiro mais traduzido em todo o mundo.

6 – Vidas Secas (Graciliano Ramos)

O romance publicado em 1938 retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos que precisa se deslocar e mudar de lugar de tempos em tempos para ás que são menos castigadas pela seca. A obra está presente na 2ª fase modernista, conhecida como regionalista e é considerada uma das melhores criações da época.

Estilo Seco! Assim os especialistas julgam esse livro, que expressa, entre tantas coisas, o uso econômico dos adjetivos, transmitindo a aridez do ambiente e os efeitos dos personagens.

A obra é dividida em 13 capítulos que não seguem uma linha linear temporal ou cronológica. Logo, é possível ler cada capítulo separadamente, apenas o primeiro “Mudança” e o último, “Fuga”, que precisam ser nas suas respectivas ordens já que representa a abertura e o fechamento do enredo.

O autor, Graciliano Ramos, é alagoano e trabalhou como jornalista no Rio de Janeiro. Trabalhou também como prefeito e vou convencido pelo amigo à publicar seu primeiro livro “Caeté”, em 1933, com o qual ganhou o prêmio de literatura.

Foi um dos presos políticos do Governo Getúlio Vargas. Foi um dos principais denunciantes das mazelas do povo brasileiro, principalmente com foco na situação de miséria do sertão nordestino.

Quanto à sua literatura, dizem que ele é o principal ficcionista da literatura nacional da década de 30, sempre com ênfase na questão social e acerca de assuntos muitos inquietantes do nordeste do país, como a seca, o coronelismo e a exploração. Assim, ele criou um movimento que ficou conhecido como Neorealismo Nordestino.

O narrador usa a 3ª pessoa para contar a história, explorando um monólogo interior e expondo os pensamentos das personagens, que, conforme leitura, dá para notar que são fechadas para o mundo. O isolamento da família é reproduzido na estrutura do romance, como já dito, que tem capítulos independentes.

Uma grande observação que pode ser feita e que já foi tema de vestibular é quanto à oscilação do personagem principal, Fabiano, que vai da condição de homem e a de animal, mas, no fim, mantém a capacidade de sonhar, imaginando uma vida melhor no futuro.

7 – Claro Enigma (Carlos Drummond de Andrade)

Claro Enigma foi publicado em 1951 e pertence à 3ª fase do autor. O período era dominado pelo temor da Guerra Fria, que confrontava a União Soviética e os Estados Unidos na corrida pelas armas nucleares.

Se antes Drummond pedia que as pessoas dessem as mãos e lutassem contras as injustiças sociais, agora, nessa fase, ele mergulhou em um questionamento metafísico com forte tendência ao pessimismo.

Veja a definição da 3ª fase do autor: Poesia complexa e erudita voltada para o questionamento filosófico existencial com a retomada de modelos formais clássicos. Por isso, durante a leitura, tenha em mãos um dicionário.

Claro Enigma é considerada uma das obras mais eruditas e herméticas de Drummond. Por isso, para ler e compreender, é preciso ter muita paciência e persistência. Ao todo, a obra é composta por 41 poemas divididos em 6 partes. São Elas:

  1. Entre Lobo e Cão: É a seção mais extensa e expõe o extremismo: cão (amigo do homem) e o lobo (avesso ao convívio social). É como escolher entre a companhia e a solidão, a alegria e a melancolia.
  2. Notícias Amorosas: É uma sessão dedicada ao tema romântico, como é de se imaginar. Mas no ato desencontrado, sofrido e de admiração. É o retrato da condição humana.
  3. O Menino e os Homens: Continua no segmento negativo e pessimista ao permear em seções na qual relembra os irmãos, amigos e os falecidos. Fala-se do destino do ser humano. A morte é dita como destino certeiro, o que deixa a questão: como aproveitar a vida lidando com a proximidade do seu fim?
  4. Selo de Minas: É uma autobiografia que se divide entre a família Drummond e o Estado de Minas. São percursos mineiros no período colonial. Fala-se das calamidades naturais e dos patrimônios de Ouro Preto.
  5. Lábios Cerrados: É um sinônimo para mudez ou silêncio. É retratado a memória da família Drummond, principalmente na lembrança do pai. Começa a reflexão sobre a aceitação da morte e a ligação com o tempo e fala-se em remédio para tratar as dores emocionais e psicológicas.
  6. A Máquina do Mundo: Discorre sobre o homem e a sua estadia no mundo. Aqui estão quase todas as interrogações da obra, onde soluções são recusadas. “São os questionamentos que movem a vida”. Dentro desse tópico há o poema de mesmo título, que foi considerado o melhor do século XX.

8 – Sagarana (João Guimarães Rosa)

O autor é uma figura presente no modernismo porque criou uma individualidade no modo de escrever e criar palavras, transformando a língua e o uso dela. Assim, incluem-se termos coloquiais típicos do sertão, aliado com palavras em desuso. Há criação de neologismos, inclusive, denotado de onomatopeias e aliterações.

Alguns exemplos dessas palavras novas são: Refrio, Retrovão, Levantante, Desfalar, entre outras.

Guimarães faz da imagem do sertão a imagem do mundo, tanto é que o texto é referenciado com o Grande Sertão: Veredas. Assim, o sertanejo não deixa de ser apenas um homem rústico, mas sim o próprio ser humano, que convive com problemas universais e eternos.

O título refere-se à um processo de invenção de palavras mais característicos, o hibridismo. Logo, saga é radical e significa “conto heroico” e Rana é uma palavra indígena que quer dizer “à maneira de”.

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O livro é composto por 9 contos: O Burrinho Pedrês, A Volta do Marido Pródigo, Sarapalha, Duelo, Minha Gente, São Marcos, Corpo Fechado, Conversa de Bois, A Hora e a vez de Augusto Matraga.

Sobre o autor, ele atuou como médico voluntário durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e depois foi aprovado na Força Pública, depois no Itamaraty e ficou diplomata, e, por fim, tornou-se embaixador. Como médico ou diplomata, ele nunca deixou de exercer sua paixão de escritor.

9 – Mayombe (Pepetela)

Esse livro é, sem dúvidas, a novidade do ano quando o assunto é literatura da Fuvest. Então, vamos apresentar-lhes: “Publicado em 1980, Mayombe foi escrito durante a participação de Pepela na guerra de libertação de Angola e retrata o cotidiano dos guerrilheiros do MPLA contra os portugueses”.

Logo, o romance não tem o intuito apenas de narrar uma história, mas traz também os sentimentos e as reflexões do grupo, as contradições e os conflitos que estavam afincados na organização e nas relações entre as pessoas que buscavam construir uma Angola livre da colonização.

Depois da sinopse, o autor: “Pepetela é um pseudônimo para Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, um escritor angolano que nasceu em Benguela”.

Durante a adolescência, o tio jornalista influenciou o autor, que, durante os anos que estudou em Lubango, também foi influenciado por um padre chamado Noronha. Licenciado em Sociologia e docente da faculdade de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto em Luando, o autor é ascendente de português.

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A obra tornou-se listada pela Fuvest, sem dúvidas, devido ao fato histórico da Guerra de Independência de Angola. Na ocasião, o autor publicou vários livros, mas Mayombe é o mais conhecido.

A História se passa na floresta do Mayombe, por isso o nome. Lá estão guerrilheiros da base militar que planejam os ataques aos colonos portugueses. O Enredo é contado por uma ordem cronológica de fatos bem amarrados e com diferentes focos narrativos. O Estilo literário é um romance político, sendo que o livro é dividido em 5 capítulos e 1 epílogo.

Os capítulos são: A Missão, A Base, Ondina, Surucucu e A amoreira.

Toda a narração é feita em 3ª pessoa com narrados onisciente e onipresente, porém, há momentos que o autor assume a 1ª pessoa e se identifica como “Eu, o narrador…”.

A Literatura Africana já havia se iniciado com o autor moçambicano Mia Couto, com a Obra Terra Sonambula, e agora Pepetela figura como um grande expoente literário que traz mais do que contexto literário e sim histórico, cultural e humano.

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Com informações da UOL, Mundovestibular e GuiadoEstudante

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